Um neurocirurgião e dois ex-executivos do PinterestRoon entram num bar e… Não, não é uma premissa para uma piada. Rohan Ramakrishna uniu forças com Vikram Bhaskaran e Arun Ranganathan e fundaram a Roon, uma nova rede social exclusiva para médicos. De acordo com a Medcity, a plataforma quer dar voz à “sabedoria coletiva” dos médicos, saindo das tradicionais trocas informais e comunidades online fragmentadas.
O lançamento da Roon teve lugar no último dia de abril. A plataforma gratuita foi fundada por Vikram Bhaskaran e Arun Ranganathan, dois ex-líderes do Pinterest, respectivamente CEO e diretor de tecnologia, e pelo neurocirurgião Rohan Ramakrishna, presidente da startup.
Ramakrishna explica que a Roon foi pensada e criada para resolver uma lacuna crescente na comunidade médica: a falta de um espaço online adequado para conectar, debater e partilhar conhecimento clínico.
O presidente da startup diz que existe um espaço para ferramentas de IA como o Claude da Anothropic ou o ChatGPT da OpenAI, mas o foco é resumir a literatura publicada. A Roon quer captar a “sabedoria coletiva” dos médicos, incluindo o seu julgamento único e experiência baseada em casos, conta Ramakrishna.
A Roon assume o compromisso de combinar dois elementos. A síntese de investigação impulsionada pela IA, e a discussão estruturada entre pares, espelhando eventos médicos do mundo real, como conferências de casos e clubes de leitura de artigos científicos.
Ramakrishna afirma que “em última análise, o que somos é uma infraestrutura para as melhores conversas médicas. Queremos fornecer essa infraestrutura para realmente desbloquear a sabedoria, a experiência, as nuances e o julgamento que estão presos na mente dos médicos. Há muita coisa na medicina e na saúde que não é publicada, que não está na web porque meio que existe apenas no cérebro dos médicos”.
A Roon foi criada para revelar e ampliar o conhecimento tácito das trocas informais, como os chats de grupo entre médicos, as consultas rápidas ou as conversas durante as reuniões, em grande parte inacessíveis fora dos pequenos círculos.
Esta não é a primeira proposta de rede social para médicos. Nos Estados Unidos, a rede social Doximity foi lançada em 2010, no Brasil, em 2013 foi lançada a Ology, em Portugal a TonicApp foi fundada em 2016 e lançada em 2017.
Ramakrishna defende que a sua startup foi concebida principalmente para discussões clínicas aprofundadas ou para a construção de comunidades. “Ninguém usa o Doximity como um espaço para construir comunidades entre médicos. Esta não é uma utilização que alguém imagine para o Doximity. Têm a sua ferramenta de apoio à decisão clínica, o seu marcador anónimo, a votação durante o ranking de hospitais da U.S. News & World Report — estas são as três principais interações que os médicos conhecem”.
A ambição dos criadores da plataforma é que se torne a infraestrutura central para uma comunicação médica significativa, promovendo discussão clínica, mas se expanda para conversas mais amplas entre médicos — abordando a ética, as políticas e os valores pessoais.
Ramakrishna quer que a empresa coloque os artigos científicos no centro das discussões, em vez de apenas os resumir.
O presidente da plataforma explica que o “foco nesta fase é realmente criar algo que seja adorado pelos médicos de todo o mundo”, por isso, é gratuita. No entanto, Ramakrishna admite que a empresa poderá buscar receita futuramente através de patrocínios, parcerias educacionais e marketplaces.
Em geral, o objetivo da empresa é transformar conversas fragmentadas entre médicos numa fonte centralizada e escalável de conhecimento e insights médicos.
