Tucuxi foi a equipe vencedora do Invent For The Planet (IFTP), realizado no SENAI CIMATEC, em Salvador. O projeto de um sensor para solos vai, agora, disputar a etapa nacional, com a ambição de conseguir um lugar na disputa mundial
O Invent For The Planet (IFTP) encerrou a edição baiana de 2026, fortalecendo o papel da inovação colaborativa como ferramenta de aprendizagem, experimentação e transformação. No IFTP, equipes de todo o mundo aceitaram o desafio de desenvolver soluções para problemas complexos e urgentes, conectando conhecimento técnico, visão sistêmica e criatividade aplicada.
A edição realizada no SENAI CIMATEC inseriu os participantes em uma experiência prática de construção de soluções para problemas interligados e de alta relevância contemporânea. Nesta edição, os desafios estiveram voltados à necessidade de repensar os sistemas alimentares, tema que exige olhar integrado sobre sustentabilidade, resiliência, equidade, escassez de recursos, desperdício e confiança nas cadeias de abastecimento.
Os desafios lançados às equipes partiram de frentes amplas e interdependentes, exigindo mais do que criatividade. O IFTP requer capacidade de investigação, priorização, análise crítica e tradução de problemas complexos em propostas viáveis.
Foram três dias de uma imersão intensa e multidisciplinar, juntando uma maratona de ideias e a vivência de inovação orientada por propósito, em que os participantes foram convidados a definir problemas e criar soluções. De acordo com a coordenadora da edição soteropolitana, Laura Gurgel, “isso exigiu leitura de contexto, definição de recortes, organização de hipóteses, construção colaborativa e desenvolvimento de propostas capazes de articular impactos sociais, ambientais e econômicos. O formato estimulou uma experiência de aprendizagem aplicada em que o valor estava não apenas na solução final, mas também no processo de investigar, testar, refinar e comunicar ideias em equipe”.
O CIMATEC reuniu também um grupo de mentores, que, ao longo dos três dias, orientaram os trabalhos, até chegar à avaliação do quarteto de jurados. As equipes e os mentores conseguiram definir, redefinir, mudar de rumo e apresentar os projetos finais, numa dinâmica concreta de inovação, conectando repertório acadêmico, visão prática e pensamento estratégico.

De acordo com Laura Gurgel, “a avaliação geral do evento foi altamente positiva, com destaque para a qualidade das mentorias, o aprendizado gerado, a dinâmica de construção em equipe e a potência do ambiente de troca.” A coordenadora do IFTP na Bahia salientou que “muitos participantes tiveram ali seu primeiro contato com um evento desse formato, o que evidencia a capacidade do IFTP de acolher novos públicos sem perder profundidade, exigência técnica e senso de propósito.”
No final, os quatro projetos apresentados assumiram o protagonismo no palco, apresentando os pitches, submetendo às questões e análise dos jurados. Fernanda Becevelli (Sebrae), Lais Valverde (CIMATEC), Suzana Paranhos (CIMATEC) e Josias Junior (Banco do Nordeste) compuseram o painel de jurados que deixou também importantes comentários para que cada projeto pudesse melhorar.
A iniciativa integra uma rede internacional, colaborativa e em expansão desde 2018, reunindo universidades, estudantes, professores, mentores e jurados em torno de desafios globais. A edição levou o programa a alcançar números expressivos: 32 universidades participantes, mais de 1000 estudantes, mais de 180 mentores, mais de 140 jurados* e mais de 175 professores, somando mais de 1500 agentes de inovação e empreendedorismo mobilizados em diferentes territórios.
Os projetos do IFTP abordaram a resiliência na produção de alimentos, especialmente diante dos impactos das mudanças climáticas e de instabilidades que afetam a oferta; as perdas, o desperdício e as ineficiências em diferentes etapas da cadeia; o acesso, a equidade e a inclusão de pequenos produtores em mercados mais sustentáveis e justos; o nexo entre água, energia e alimentos, que evidencia a dependência mútua entre recursos essenciais; a transparência e a confiança nos sistemas alimentares, com atenção à rastreabilidade e à credibilidade; e a construção de sistemas circulares de materiais centrados no lar, com foco em reaproveitamento, consumo consciente e redução de impactos.
A organização do programa acredita que o crescimento contínuo da participação a cada ano reforça a força do movimento e o alcance do propósito que orienta a iniciativa: “The Sun Never Sets On Innovation.”
