Políticas de Trump provocam queda de turismo estrangeiro nos EUA

O turismo estrangeiro nos Estados Unidos caiu em cinco dos últimos seis meses. De acordo os especialistas, este declínio deve-se à retórica e às políticas restritivas do presidente Donald Trump, segundo a Al Jazeera.

A queda do número de visitantes estrangeiros nos Estados Unidos perdura, causada pelas políticas implementadas pela administração Trump, principalmente pelo efeito que têm ao deixar os turistas receosos, sem confiança para viajar para o país, temendo que mais medidas restritivas ou medidas mais restritivas sejam anunciadas.

Dados preliminares do governo recentemente divulgados mostram que, só no mês de julho, menos 3% de estrangeiros visitaram os EUA, em termos homólogos. Os números apresentam uma tendência observada em quase todos os meses desde que Trump tomou posse, no final de janeiro. Em cinco dos seis meses, os EUA registaram uma quebra no número de visitantes estrangeiros.

Especialistas e algumas autoridades locais apontam as tarifas de Trump, a repressão da imigração e as repetidas ameaças de anexação do Canadá e da Groenelândia pelos EUA como as razões que afastaram os viajantes de outras partes do mundo.

Ryan Bourne, economista do Cato Institute, em declarações à Al Jazeera, diz que a queda do turismo está ligada tanto à retórica como às políticas de Trump.

“[A queda] pode ser atribuída às guerras comerciais do presidente e a algumas das consequências do medo de serem presos nas medidas de imigração.”

A Tourism Economics previu na semana passada que os EUA teriam menos 8,2% de chegadas internacionais em 2025, um número menos pessimista que a previsão anterior, que vaticinava uma queda de 9,4%. Ainda assim, são números bem abaixo dos visitantes estrangeiros no país antes da pandemia de COVID-19.

Mas a Tourism Economics calcula que o sentimento do público, traduzido pela quebra nas reservas aéreas, vai manter-se.

Os números de julho de 2025 revelados pelo governo norte-americano não incluem os visitantes dos vizinhos Canadá e México.

Considerando os números da Tourism Economics, menos 25% de turistas trocaram o Canadá pelos EUA, comparando com o mesmo período de 2024.

Curiosamente, o fluxo contrário foi superior, pela primeira vez em duas décadas. O número de residentes nos EUA que viajaram de carro para o Canadá em junho e julho foi superior ao percurso inverso, de acordo com o organismo nacional de estatísticas do Canadá. O Statistics Canada revelou que, nos últimos 20 anos, isso só ocorreu em dois meses durante a pandemia.

Os dados do governo dos EUA mostram que as viagens da América Central cresceram 3% até maio e as da América do Sul, 0,7%, em comparação com uma queda de 2,3% na Europa Ocidental. O caso do México é uma das poucas situações em que ocorreu um aumento do turismo para os EUA.

O número de visitantes da China caiu quase 14%. As tensões geopolíticas, a guerra comercial e as críticas (posteriormente revogadas) de Trump contra os estudantes chineses aumentaram as preocupações entre os turistas chineses.

A “taxa de integridade de visto” de 250 dólares, com entrada em vigor prevista para 1 de outubro, é mais um obstáculo para os viajantes de países que não estão isentos de visto. Visitantes de México, Argentina, Índia, Brasil e China enfrentam um custo total do visto de 442 dólares, uma das taxas para visitantes mais elevadas do mundo, segundo a Associação de Viagens dos EUA.

Para o setor de turismo dos EUA, mas também para quem trabalha no estrangeiro com turistas que poderiam escolher os EUA como destino, todas as taxas vão fazer aumentar os orçamentos de viagens.

Em maio, o World Travel & Tourism Council projetou que os EUA seriam o único país entre os 184 estudados onde os gastos dos visitantes estrangeiros cairiam em 2025. Os gastos dos visitantes internacionais nos EUA não devem chegar aos 169 mil milhões de dólares este ano, face aos 181 mil milhões de dólares em 2024, de acordo com as previsões do WT&TC.

Os números indicam que o “apelo global dos EUA está a diminuir”, afirmou o WT&TC.

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