A discussão é cíclica, a cada nova geração ocorre sempre uma análise das virtudes e defeitos, principalmente na perspectiva comparativa com as gerações prévias. As atitudes em relação ao trabalho entre a Geração Z (nascidos aproximadamente entre 1997 e 2012) divergem das gerações anteriores — nomeadamente, Baby Boomers (1946-1964), Geração X (1965-1980) e Millennials (1981-1996) — de várias formas notáveis. De acordo com a Physicians Practice, estas diferenças podem representar desafios e oportunidades para a área médica e para as instituições que procuram criar ambientes de trabalho produtivos e acolhedores.
A Geração Z está prestes a entrar no mercado de trabalho num momento de grandes mudanças, marcado pelo aumento dos serviços de telessaúde, maior ênfase no apoio à saúde mental e um foco renovado na diversidade e inclusão. O setor da saúde ainda está em período de adaptação a estas mudanças e é crucial compreender as expectativas da Geração Z para poder recrutar, formar e reter profissionais talentosos.
Maior e crescente consciência sobre saúde mental
A Geração Z está notavelmente mais aberta a discutir a saúde mental em ambientes profissionais. De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Americana de Psicologia, a maioria dos adultos da Geração Z referiu que o stress impactou o seu desempenho profissional ou escolar durante a pandemia de COVID-19. Em contraste, Baby Boomers e Geração X tiveram maior propensão a ver o bem-estar pessoal como uma questão privada, reflectindo um ethos de “suportar a situação” comum entre as gerações mais velhas.
Aumento da procura por funções com propósito
Embora os millennials tenham ajudado a introduzir a ideia de trabalho com propósito, a Geração Z levou-a um passo mais longe. A Delloite realizou a Global Millennial and Gen Z Survey, em 2021, que revelou que muitos membros da Geração Z procuram funções alinhadas com os seus valores, especialmente em áreas como a justiça social, a diversidade e a responsabilidade ambiental. Embora os millennials também valorizem o trabalho significativo, a Geração Z tende a esperar que os empregadores demonstrem responsabilidade corporativa imediatamente, em vez de a descobrirem com o tempo.
Domínio das ferramentas digitais
A Geração Z é a primeira geração verdadeiramente “nativa digital”, tendo crescido com smartphones, redes sociais e internet de alta velocidade desde cedo, pelo que esperam feedback em tempo real e fluxos de trabalho simplificados, adaptando-se rapidamente a novas plataformas. Os Baby Boomers e a Geração X necessitam frequentemente de mais tempo e formação para se adaptarem a tecnologias emergentes, como as plataformas de telessaúde e os registos de saúde eletrónicos.
Flexibilidade como expectativa básica
Mais de metade dos inquiridos da Geração Z na pesquisa Gallup de 2021 elegeram os horários flexíveis e as opções remotas como as principais considerações para um novo emprego. Embora os millennials procurem há muito um melhor equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, a Geração X e os Baby Boomers entraram geralmente no mercado de trabalho quando os modelos remotos ou híbridos eram raros ou tecnicamente inviáveis. Como resultado, as gerações mais velhas podem ver a flexibilidade como uma vantagem adicional, enquanto a Geração Z a trata como um benefício padrão.
Disposição para se manifestar e seguir em frente
A Geração Z questiona frequentemente políticas existentes ou práticas ultrapassadas, o que pode gerar atrito e inovação em ambientes hierárquicos como o da saúde. Um artigo da Harvard Business Review de 2022 destacou como a Geração Z é rápida a deixar locais de trabalho que não correspondem às suas expectativas de liderança solidária e inclusão. Embora os millennials também se tenham tornado conhecidos por “saltar de emprego”, a prontidão da Geração Z para a transição pode ser ainda mais pronunciada.
Impacto na equipe de saúde
Consultórios médicos, clínicas e hospitais que adotam tecnologias de telessaúde, registos médicos eletrónicos e monitorização remota de pacientes estão bem alinhados com a fluência digital da Geração Z. Muitas unidades de saúde também vão descobrindo que precisam de reforçar os processos de integração, oferecer mentoria e destacar recursos de saúde mental para recrutar e reter profissionais da Geração Z. As agências de recrutamento referem que as práticas que abordam diretamente o burnout e oferecem apoio à saúde mental demonstram uma maior fidelidade desta geração.
Cultura de apoio
A Geração Z dá mais ênfase ao bem-estar, portanto, organizações que promovem a abertura, oferecem dias de saúde mental e patrocinam aconselhamento ou grupos de apoio entre pares estão melhor posicionadas para atrair colaboradores mais jovens. Esta mudança para um ambiente de trabalho mais transparente contrasta com as normas mais antigas, que se centravam principalmente nos objetivos de produtividade e menos nos fatores pessoais ou emocionais.
Reduzindo as diferenças
Para instituições de saúde que procuram harmonizar as diferenças geracionais, uma comunicação clara é fundamental. Ao incentivar consultas regulares, opções de horários flexíveis e uma cultura que priorize os valores partilhados, reconhecendo as expectativas únicas da Geração Z e, ao mesmo tempo, respeitando as perspectivas das gerações mais velhas, as organizações podem promover a inovação, melhorar a moral e fortalecer o trabalho em equipa em todas as faixas etárias.
