Duas das maiores cidades da Dinamarca recusaram os serviços de cloud norte-americanos. Esta iniciativa faz parte de uma estratégia dos governos europeus para reduzir a sua dependência das grandes empresas tecnológicas dos Estados Unidos.
Henrik Appel Espersen, presidente do comité de auditoria de Copenhaga, em declarações ao Politiken, afirmou que que o conselho decidiu abandonar os programas do Microsoft Office devido à economia e ao controlo “quase monopolista” da empresa, segundo relata a Euronews.
De acordo com Espersen, a política externa do presidente norte-americano, Donald Trump, tornou o problema “mais atual”.
Aarhus, o segundo maior município da Dinamarca, seguiu as pisadas de Copenhaga, substituiu a tecnologia da Microsoft por um sistema alemão.
A Dinamarca colocou em prática o que tem sido discutido nos Países Baixos. Em debate público, o parlamento holandês aprovou uma série de moções no início deste ano para construir uma nuvem digital e reduzir a sua dependência da tecnologia de nuvem dos EUA.
Especialistas europeus, em declarações à Euronews, falaram do receio que a administração Trump tenha intenção de as empresas tecnológicas a fornecer dados holandeses aos EUA ou forçá-las a deixar de fornecer serviços de cloud à Europa, o que poderia causar grandes perturbações nos serviços públicos.
Segundo um relatório de um grupo de peritos dinamarquês sobre gigantes tecnológicos publicado em dezembro de 2024, é recomendado que surjam e cresçam alternativas às grandes empresas tecnológicas na Europa.
“Ninguém deve ser obrigado a utilizar os serviços dos gigantes tecnológicos para obter informações e participar em comunidades sociais, culturais e democráticas”, diz o relatório.
“Se utilizarmos apenas as suas soluções, a nossa sociedade torna-se extremamente vulnerável num mundo que está a mudar sob a pressão de grandes potências, tensões geopolíticas e uma corrida tecnológica. É por isso que devemos desenvolver as nossas próprias soluções.”
O relatório apresentou uma “visão geral” da influência dos gigantes tecnológicos na infraestrutura digital da Dinamarca, afirmando que o setor público e os sistemas educativos não devem ser “dependentes” dos serviços destas empresas.
Morten Bodskov, ministro da Indústria e Comércio da Dinamarca, foi direto na sua posição, em comunicado, dizendo que “Precisamos de conter os gigantes da tecnologia”, acrescentando que “se utilizarmos apenas as suas soluções, a nossa sociedade tornar-se-á extremamente vulnerável num mundo em constante mudança, pressionado por grandes potências, tensões geopolíticas e uma corrida tecnológica. É por isso que precisamos de desenvolver as nossas próprias soluções.”
A Comissão Europeia está a realizar consultas públicas até 3 de julho acerca do futuro da legislação sobre computação em nuvem no bloco para “resolver a lacuna da Europa em termos de capacidade de infraestrutura de nuvem e IA”.
A lei irá, em última análise, abordar a investigação e a inovação para acelerar os centros de dados para a cloud e a IA, o investimento privado em capacidade sustentável de cloud e IA e o aumento da “capacidade de processamento seguro” dos fornecedores de cloud sediados na UE.
Em 2024, o relatório de Mario Draghi sobre o estado da competitividade da Europa referia que o bloco precisa de “melhorar a infraestrutura tecnológica e reduzir a dependência” de fornecedores de serviços de cloud de fora da UE.
