Onde Portugal, Brasil e ESG se encontram

Em visita à Reitoria da Universidade de Coimbra, recebi uma edição do livro José Bonifácio de Andrada e Silva e a inauguração da cátedra com o seu nome na Faculdade de Direito de Coimbra.

Andrada e Silva é um ponto importante de ligação entre Portugal e Brasil, mas também um ícone quando pensamos no que significa o conceito bem atual de ESG.

O percurso do homem mais conhecido como “Patriarca do Brasil” é vasto, mas, para este texto, vamos centrar o foco em pontos particulares.

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Também chamado de “Patricarca da Ecologia” (segundo algumas fontes online), Andrada e Silva estou a história natural, química e mineralogia na Universidade de Coimbra. Além do percurso académico, ocupou cargos públicos, entre eles, o de Superintendente das Obras de Reflorestamento dos Areais das Costas Marítimas.

Foi Andrada e Silva que publicou, 1815, um tratado técnico fundamental chamado “Memória sobre a necessidade e utilidade do plantio de novos bosques em Portugal”. A obra abordava de forma pormenorizada métodos científicos para conter o avanço das dunas através do plantio de árvores, além de criticar a destruição florestal sem consequente replantio.

No Brasil, país onde nasceu, criou a política ecológica brasileira. Avisou que a agricultura predatória e as queimadas transformariam o fértil território do Brasil em “desertos áridos”. Foi proponente de leis de proteção ambiental, do fim do desperdício de madeira na indústria naval e da obrigatoriedade do reflorestamento em terras cultivadas.

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Bonifácio era um pesquisador e um ávido curioso dos avanços sociais. Durante uma década viajou pela Europa, conhecendo França, Itália, Suécia, Dinamarca, Bélgica, Holanda, Hungria e Inglaterra, conhecendo de perto os avanços da Revolução Industrial e presenciando o início da Revolução Francesa.

A sua visão era polémica e causava discórdia no seio da corte de Pedro I, sendo perseguido por diversas lideranças políticas. Uma das suas propostas para uma nação forte e sustentável era o fim da escravidão.

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A chegada do almirante britânico Cochrane deve-se a Andrada e Silva. E Cochrane foi decisivo para a criação da Marinha de Guerra do Brasil. Por consequência, a Marinha foi fundamental para manter estados do Norte e do Nordeste.

A independência do Brasil está ligada a uma carta de Bonifácio ao príncipe regente, onde constava o conselho de Bonifácio para que D. Pedro se mantivesse em território brasileiro, recomendando que não voltasse para Portugal.

Bonifácio Andrada e Silva foi nomeado para o Ministério dos Negócios do Reino e Estrangeiros e, nessa função recomendou que fosse construída uma capital no interior, com o intuito de fortalecer a integração nacional.

Falamos de uma figura histórica, que viveu nos séculos XVIII e XIX, mas que já tentava colocar em prática os princípios que hoje em dia estão associados aos ODS e às políticas de ESG. Talvez isso seja bem demonstrativo da resistência que tais medidas têm encontrado ao logo da História do mundo.

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