O que o setor de saúde pode aprender com uma marca de chá

Don Vultaggio é um bilionário. Na década de 90 criou a Arizona Beverages, que atualmente, segundo a Forbes, gera uma receita anual de US4bi. Segundo a mesma fonte, o seu fundador vale US6.6bi.

Mas o que tem a ver Don Vultaggio e os chás gelados da Arizona Beverages com o setor de saúde?

O fundador da AB tem uma abordagem realista do negócio, acredita que se deve combater o desperdício, independentemente do tamanho da empresa ou dos lucros gerados.
Acredita na lógica do retorno, do “give back”, por isso foi capaz de manter o preço das latas de chá gelado de 680ml (23oz) abaixo de 1 dólar, literalmente nos 99 centavos, desde 1992, quando a empresa foi fundada

Para isso, a inovação tem um papel fundamental. Além de reduzir o desperdício, aumentou a eficiência, aumentando a velocidade de produção, trocar o transporte por estrada para transporte usando ferrovia, ou mudar as entregas das latas. Fazer isso requer inovação constante para encontrar novas maneiras de reduzir custos, desde aumentar a velocidade de produção e fazer entregas à noite. Segundo Vultaggio, quem paga a conta do desperdício é o consumidor.

Otimizar despesas nunca coloca em causa a qualidade do produto. Por exemplo, quando redesenharam a tampa de suas latas, conseguiram a reduzir os custos de fabricação. O sabor manteve-se. Quem o garante é Vultaggio, que prova e aprova cada bebida que lançada pela Arizona antes de sair para o mercado

A tomada de decisão na Arizona Beverages é feita a todos os níveis. O CEO da empresa dedica uma boa parte do tempo à conversa com os diversos setores da empresa. O próprio fundador e líder da empresa recolhe dados, recolhe opiniões e recolhe sugestões. Cada pessoa é uma peça fundamental para a máquina funcionar eficientemente. Ao identificar uma ideia que pode reduzir gasto de tempo, dinheiro ou esforço, é possível criar a solução. As boas ideias surgem de onde os obstáculos são observados.

Na sua unidade mais recente, que custou 300 milhões de dólares, nada foi esquecido. As instalações foram criadas para um ambiente familiar, proporcionando um ambiente acolhedor, que gera satisfação e motivação para quem lá trabalha. Mas o bilionário nova-iorquino não ficou por aí. Quem criou a decoração não foi designer de interiores ou arquiteto, foram os próprios trabalhadores. Reunindo as propostas para a decoração, o resultado final foi um misto de murais, áreas da Disney, carros antigos e plantas. Uma fábrica que poderia ser uma galeria de arte.

O exemplo vem do topo. Os funcionários seguem a liderança do CEO, por isso, não poucas vezes, Vultaggio demonstra o que pretende. Se ele pode fazer, qualquer funcionário também pode.

A inovação não pode parar. Se Vultaggio acreditar que a receita está como ele quer, se não pesquisar novas propostas de sabores ou de decoração de latas, se não lançar merchandising da marca ou se não estiver atento aos gostos dos consumidores e reagir de acordo com as mudanças, o risco de insucesso é maior. São os clientes que fazem o negócio existir e prosperar. O mercado existe e a concorrência está aí, basta não ter o produto adequado e a falência está à espreita.

Essa importância que Vultaggio dá aos clientes da marca é visível no preço inalterável há mais de três décadas.

Uma empresa de sucesso, sem dívidas e dona de tudo não precisa de aumentos de preços para aumentar os lucros. “Por que as pessoas que estão tendo dificuldades para pagar as contas têm que pagar mais pela nossa bebida?”, questiona, anunciando que não pretende subir o preço do chá gelado nos próximos tempos.

O design da lata é da autoria da esposa de Vultaggio, os filhos são diretores de criação e de marketing. As latas de chá podem ser encontradas em supermercados e lojas de conveniência, por exemplo, e são identificáveis pelas cores vibrantes, turquesa, rosa e amarelo.

A concorrência de gigantes como Coca-Cola e Pepsi é abismal, por isso, a forma de conquistar a sua fatia do mercado é inovar, ser criativo e fazer diferente. A poupança em campanhas de marketing tradicional representa um valor que não tem de ser pago através de vendas.

E ele prefere vender 4 produtos por 1 dólar, em vez de 1 produto por 4 dólares.

A estratégia do chá gelado da Arizona é secular e assenta no boca-a-boca. Cliente satisfeito vira fã. E o melhor marketing é feito por fãs.

Like the ice tea, health care is (or should be) focused on the patients. By providing quality care, by making sure innovation is well applied to optimize processes, to reduce money waste and losses, using technology to help professionals spending their time in tasks that can’t be done by machines, motivating and valuing every single person in the company, then healthcare companies and professionals will become their patients’ beloved brands. And they will be proudly talking about them with the highest praises.​

Assim como o chá gelado, os cuidados de saúde estão (ou deveriam estar) focados nos pacientes. Prestando cuidados de qualidade, garantindo que a inovação é bem aplicada para otimizar processos, para reduzir desperdícios, utilizando a tecnologia para ajudar os profissionais a dedicarem o seu tempo a tarefas que não podem ser realizadas por máquinas, motivando e valorizando cada pessoa na empresa, então as empresas e os profissionais de saúde vão poder ser marcas desejadas e admiradas pelos seus pacientes. E os elogios vão circular forma orgulhosa.

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