Previsões para os EUA podem abrir novos destinos de turismo

Tudo indica que os Estados Unidos vão sofrer perdas de US29 bi no setor de turismo. Ou melhor, não perdem, mas não deixam de ganhar.

Tudo devido às políticas da administração Trump, principalmente assentes em tarifas e nas restrições e aumentos de custos com vistos. Segundo a Forbes, um estudo da World Travel & Tourism Council (WTTC), os EUA são o único país que apresenta previsões negativas.

Depois da pandemia, a população voltou a viajar e, mesmo com os aumentos de preços das operadoras aéreas, parece querer recuperar o tempo perdido.

Os números do prejuízo estimado obedecem a um conjunto de cálculos, desde a revisão do crescimento previsto, que se cifrava nos 9%, passando para uma perda de 8,2%, o que representa uma variação de 17,2%. Colocando em dólares, podemos falar na passagem de um lucro de US16,3bi para um défice de US25bi a US29bi.

Se considerarmos que o Canadá foi, em 2024, responsável por 25% dos visitantes dos EUA, onde deixaram mais de US20bi, e que os turistas vizinhos a norte perderam o desejo de visitar, por períodos mais curtos ou mais longos, o Estados Unidos, mas não diminuiu o seu apetite por viajar, podemos concluir que teremos mudanças de hábitos e de destinos.

Snowbirds é o termo usado para definir aqueles que não aprenderam a (ou exercem o seu direito a não) tolerar ou até mesmo a gostar do inverno do Canadá. Os snowbirds não suportam frio nem neve, incluem uma parte da população mais idosa e aposentada. Quando o Canadá gela, os snowbirds, seguem, por exemplo, para o sul dos EUA.

No entanto, estados como a Flórida vão ter alguns ajustes. Segundo o portal Realtor, o Canadá foi responsável por 13% dos investimentos estrangeiros em imobiliário, algo em torno de US5,6bi. E a Flórida acolheu 41% desses compradores vindos do país vizinho.

As tarifas de Trump não tiveram somente um impacto nos preços dos produtos importados, afinal, foi criado um atrito entre os dois países que, convenhamos, não é convidativo. Além disso, a solicitação ou renovação de vistos passou a ter um custo acrescido de US250, além dos custos com seguros, que aumentaram devido aos fenómenos naturais que fustigaram a região.

Portanto, os EUA perdem, considerando apenas o Canadá e os seus snowbirds, turistas e moradores por temporada. Menos viagens, propriedades que não são compradas ou alugadas (arrendadas), bens que não são consumidos, hotéis e pousadas que não têm camas ocupadas, bares e restaurantes sem os habituais ocupantes…

Mas, é bom relembrar, os canadianos não deixaram de viajar ou de querer locais mais quentes. Vão continuar a voar, a gastar, a consumir, a comprar, a passear.

O sul da Europa já percebeu que a rota de muitos snowbirds pode mudar. Apesar de já conhecerem o sul de Portugal, o sul de Espanha ou da Grécia, o número de turistas que podem trocar o sul dos EUA pela costa do Mediterrâneo deve aumentar. Mas muitos podem continuar a escolher permanecer no mesmo continente, indo para lugares mais frequentes como México ou República Dominicana.

Países como Argentina, Brasil ou Colômbia têm uma oportunidade de ouro para se tornarem o destino quente destes amantes de calor, desde que saibam criar estratégias para acolher este tipo de turistas ou moradores de temporada.

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