Visão, Missão e Valores.
Em teoria, “são os pilares fundamentais da estrutura estratégica de uma organização, definindo o seu futuro, propósito e padrões de comportamento”.
Na prática, e muitas vezes, representam um texto copiado e colado em sites e redes sociais.
Visão: onde a empresa quer chegar.
Missão: o que a empresa faz.
Valores: princípios que regem o comportamento e as decisões.
Mas, na verdade, quantos casos têm uma correspondência da teoria para a prática? Quantos cumprem o princípio de “walk the talk”? Ou melhor, quantos usam essa tríade VMS como mera estratégia de marketing?
A série “Silicon Valley” tem um episódio em que todas as startups usam a mesma abordagem nos seus pitches. Quem já participou ou esteve na plateia durante alguma pitch session sabe que é algo muito comum.
Mas, olhemos para os sites das empresas, mas micro às multinacionais. E façamos o exercício de entender onde é discurso e onde é realidade.
No contexto atual, em que as maiores empresas estão implicadas em processos de estímulo de comportamentos viciantes, da indústria alimentar às BigTech, na era em que sabemos que as redes sociais vendem dados pessoais (ou lucram com o seu uso), ou removem ferramentas de verificação de veracidades do que é partilhado, ou que lutam contra regulamentação, quando deveriam ajudar a construir esse conjunto de regras que as protegeriam e aos seus usuários, no momento em que as startups deixaram de vender produtos e serviços para vender assinaturas, não é complicado separar o que é venda e o que é propósito.
As diferenças entre o mundo cor de rosa descrito na Visão, Missão e Valores e o mundo real são evidentes. Não é uma questão de cultura de cancelamento, é uma questão de seletividade. E de estabelecer critérios do que é melhor para nós e para o mundo em que vivemos.
